Crônicas

Acalento

Ao escrever, eu namoro, flerto, me apaixono.

Por quem? Por elas, as palavras.

Já perceberam como elas chegam?

Afoitas, apressadas, querendo passar à frente umas das outras.

Delas, sou fã, parceira e amiga.

Pois venham, achem seus lugares, enfeitem, enfeiem, traduzam, confundam.

Ahhh, as palavras…

Com o seu poder, destroem impérios, apaziguam corações quebrados, animam os desesperados, fazem felizes os apaixonados.

E os sons? Variados, engraçados, escrachados…

O ritmo? Esse é um capítulo à parte!

Arranham as letras, como a palavra arara, por exemplo,

ou são sedutoras, como veludo.

A intensidade de grito, a elegância de néctar.

Acho surpreendente também como elas se tornam moda, autoridade, prestígio.

Vou exemplificar com o que tenho ouvido: “ponto focal”.

Alguém poderia me explicar o que seria um ponto não focal?

Me lembra muito o “estado da arte”, que em época passada, era uma expressão obrigatória no linguajar de quem queria soar moderno, no mundo corporativo. 

Mas essas não me ocupam a mente.

Eu gosto mesmo daquelas que me acalentam.

Falando nisso… olhem a lindeza da palavra acalentar!

Ela tem um som que embala, um jeito de colo, um gesto de abrigo.

Parece que, ao pronunciá-la, o mundo sossega — e o coração também.

Maria Elza G. Gonçalves

Aposentadoria e entrada na Terceira Idade. Duas mudanças importantes que ocorrem na vida das pessoas e que merecem nossa reflexão.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Desative para continuar